Celebração da festa do fundador, o bem-aventurado João Batista Scalabrini

Roma, 1° de junho de 2019
Prot. nº 834/2019
Assunto: Celebração da festa do fundador, o bem-aventurado João Batista Scalabrini

Estimadas Irmãs, formandas, leigos missionários scalabrinianos e amigos

A celebração da festa do fundador, o bem-aventurado João Batista Scalabrini, neste ano se reveste de um significado ainda maior, pois estamos ao ritmo da reorganização interna da Congregação e temos a graça de vivê-la também à luz do tema do XIV Capítulo Geral: “Caminha humildemente com o teu Deus” (Mq 6, 8); tudo isso nos motiva a um caminho de renovação interior do nosso ser consagrado e, ao mesmo tempo, nos dá uma nova força espiritual, uma nova coragem e impulso missionário, cujo objetivo deste caminho é marcada pela ação do Espírito Santo. Novas fronteiras se abrem diante de nós, novas realidades, outras culturas, diferentes necessidades, periferias, novos desafios para encarnar o carisma scalabriniano, neste tempo de mudança.

Na medida em que refletimos sobre a visão que Scalabrini tinha da emigração e sobre a situação atual do mundo, percebemos o quanto atual era a sua compreensão e atuação pastoral e, também, quão profunda foi a sua espiritualidade e a sua incidência no contexto em que ele viveu.

Podemos dizer que o bem-aventurado João Batista Scalabrini era um homem de uma intensa vida de fé e de amor a Deus, alimentava uma espiritualidade eclesial: ele acreditava, esperava e amava. A herança que recebemos do fundador, Scalabrini, é a missão com os migrantes, um carisma atual para o nosso tempo e, por isto, encorajo-as a fazer tesouro deste dom recebido que se expressa na vivência diária da vocação scalabriniana, a qual é alimentada pela renovação de uma vida espiritual que projeta a vida religiosa scalabriniana em direção aos irmãos e irmãs em mobilidade.

Para nós, não é suficiente conhecer algumas ideias ou fatos da vida do bem-aventurado Scalabrini porque ele é muito mais do que uma página de história ou uma figura exemplar para o seu tempo: ele transcende a sua época. Caminhou humildemente, fazendo da humildade um estilo de vida, deixando-se interpelar e interrogar-se pela humanidade migrante porque era persuadido de que Deus age na história com eles e através deles.

A história dos povos é assinalada pelo fenômeno da migração e nós, hoje, seguindo os passos do fundador, temos a oportunidade, também através do Serviço Itinerante que estamos vivendo e operando em realidades diversas da Congregação, de ir ao encontro dos migrantes, potencializando a itinerância na vida da Irmã MSCS, sendo presença solidária e profética no mundo da mobilidade humana, ajudando, assim, a sociedade, a Igreja, as nossas comunidades religiosas a recolocar no centro a pessoa humana com a sua dignidade única, acolhendo o envio de anunciar o amor universal do Pai.

Portanto, caminhar humildemente com o Senhor como o viveu o bem-aventurado Scalabrini significa viver a nossa peregrinação terrena como “uma constante emigração, saindo de nós mesmos em direção ao outro, para partilhar com ele o pão da nossa vida de batizados e de consagrados, para lavar com humildade os pés do viandante, para perfumar o hóspede inesperado com o nardo precioso, para parar e olhar com olhos de amor os peregrinos feridos ou ofendidos na própria dignidade, tratando-os com ternura e com a determinação de Jesus, o bom Samaritano”.

Estimadas Irmãs, formandas, leigos missionários scalabrinianos, sintamo-nos encorajados a assumir a herança recebida do fundador, o bem-aventurado João Batista Scalabrini: radicalidade do seu pensar, falar e agir a favor dos migrantes.

Também hoje, graças a este grande modelo de Scalabrini, sentimo-nos chamados a fazer florescer novamente a criatividade scalabriniana aos migrantes e refugiados que nem sempre encontram respostas às suas necessidades e às suas feridas, e pela sua intercessão possamos acompanhá-los na busca de melhores condições de vida onde fé, cultura e vida se entrelaçam.

Em unidade com as conselheiras gerais e com a secretária geral, desejo a todas e a todos uma alegre festa do fundador, de modo que possamos vivê-la em comunhão de missão e de oração por todos os migrantes, verdadeiros portadores de novos tempos e “construtores ocultos e providenciais da fraternidade universal”.

Ir. Neusa de Fátima Mariano, mscs
Superiora Generale

Buona Pasqua!

Non muri ma ponti é quanto ci dice Papa Francesco;

i muri abbattuti dalla forza della Resurrezione

diventano terreno per una nuova chiesa,

una nuova società e tutti collaboriamo con Dio.

Buona Pasqua!

 

Superiora Generale e Consigliere

Sr. Neusa de Fatima Mariano, mscs
Sr. Etra Modica, mscs
Sr. Marlene Vieira, mscs
Sr. Albertina Pauletti, mscs
Sr. Elizabeth Pedernal, mscs
Sr. Carmen Lisot, mscs

 

“O meu sonho é ter uma bicicleta e linhas para fazer pipas”

POR ROSINHA MARTINS
DE SÃO PAULO – SP

As crianças fazem a diferença no mundo da migração e do refúgio. Pelas minhas lentes as vejo como a alegria, a simplicidade, aquele algo que todo imigrante ou refugiado adulto carece fora do seu país. Enquanto seus pais me falavam sobre os desafios de viver fora da própria terra, dos medos e das esperanças, com lágrimas nos olhos, atitude própria de um adulto que leva a vida a sério, elas sorriam, corriam como se o novo lugar não lhes fosse estranho. E talvez não seja mesmo.

As crianças em qualquer lugar que estejam preenchem o ambiente de paz, de serenidade. Elas são capazes de nos fazer levitar quando o fardo está muito pesado. Por isso que Jesus, dizia que o Reino dos Céus é delas.

Ao me deparar com uma criança imigrante ou refugiada, olhar nos seus olhos sempre atentos no horizonte, nunca baixos; contemplar a sua naturalidade e espontaneidade, me pergunto se sentem ou não o peso da migração. Devem sentir, mas de forma diferente dos adultos. O mundo da criança é magico, divertido e mais feliz.

Mas Abraão, 10, me tocou de maneira especial. Em primeiro lugar porque contagia com a simpatia e leveza. Quando cheguei no pátio, – ele, que já me conhecia, porque fui ao aeroporto buscá-los quando chegaram em São Paulo há mais ou menos um mês –já me olhou sorrindo e me disse:

“Para que time você torce? ”
“Adivinha.”
“São Paulo? ”
“Nãoooo”, disse-lhe.
“Corinthians?”
“Simmm”, respondi. Nesse momento ele sorriu, e me apertou a mão.

“Eu também sou corintiano. Sabe que eu fui palmeirense por 6 meses, mas depois percebi que ele perdia muito e passei a ser corintiano. É um time muito bom”, me disse.

Esta é outra razão pela qual fiquei ainda mais próxima do Abraão. Deixando de lado o timão, o que mais me chamou a atenção são os sonhos que Abraão tem por agora. Sonhos tão fáceis de se tornarem realidade e que lhe fará uma criança feliz: ter uma bicicleta para correr no pátio e linha para soltar pipas, algumas das suas brincadeiras preferidas na Venezuela. Basta somente um pouco de boa vontade humana para que ele tenha o que deseja. Com a palavra, Abraão:

Vivo momentos felizes junto a qualquer criança, porém aquelas refugiadas e imigrantes me tocam de maneira particular: elas são protagonistas da sua própria história e de uma nova história. Elas me ensinam muito. Sinto que me torno mais humana e mais adulta quando me deixo tocar por elas. Um presente de Deus.

Como Abraão chegou em São Paulo
Abraão, Valentina, Gabriel, Rafael, e tantas outras crianças chegaram em São Paulo com seus pais, os quais por meio do projeto “Caminhos de solidariedade”, com sede em Roraima, foram acolhidos pelas Scalabrinianas na Casa Madre Assunta Marchetti.

 A vida em São Paulo
Os pais, todos os dias, desde as 7 da manhã, já começam a jornada pela procura de emprego. As crianças, vão para a escola. Algumas participam do Projeto Conviver na Casa Madre Assunta e outras estudam em escolas do Bairro.

Hora de ir para a escola
Abraão não titubeia para se levantar cedo com o irmãozinho e correr para a escola Annita Atala, onde estuda pela manhã. Não posso me esquecer de dizer que ele ama estudar, além da paixão pelo futebol. “Eu gosto de morar aqui também porque tem a escolinha de futebol”, comemora feliz.

Para fazer doação para o Abraão e as outras crianças:
imprensascalabriniana@gmail.com ( Irmã Rosinha Martins)
Fone: Irmã Dirce: 11945097653
E você sabia que, qualquer pessoa de boa vontade pode participar do projeto Caminhos de Solidariedade, acolhendo famílias? Veja:

Mais informação acesse caminhos de solidariedade (Clicka)

Imagens: Rosinha Martins

Famílias venezuelanas são acolhidas na Casa Madre Assunta

Vila Prudente – SP

Já se passaram 124 anos desde a chegada de Madre Assunta Marchetti, que veio da Itália para o Brasil, a fim de ser aqui, neste espaço, hoje chamado Casa Madre Assunta, casa abençoada por ela e por tantas outras pessoas de Deus, a mãe dos órfãos e abandonados, filhos da imigração de seu tempo.

Esta mesma casa, este pátio, estas salas, estes corredores e escadarias e, acima de tudo, a Capela de Nossa Senhora de Lourdes, onde os pequenos órfãos dobravam os joelhos em prece e, com os olhos levantados para a imponente estátua do Sagrado Coração de Jesus, suplicavam o sustento para o corpo e a paz eterna para os pais que haviam partido, hoje abriu as portas a outros pequenos, a outras famílias, ou seja, às novas migrações.

Graças à decisão do governo geral, foi aberto um espaço de acolhida na Casa Madre Assunta para acolher imigrantes da Venezuela: são seis famílias: 12 crianças e 13 adultos. Deo Gratias! diria o Venerável Servo de Deus, Padre José Marchetti. Deo Gratias! Porque a Congregação toda participa deste projeto de acolhida, continuando assim a obra scalabriniana.

Esta presença de imigrantes nos espaços acolhedores da Casa Madre Assunta favoreceram a comunidade de Irmãs, que nela vivem, a abrir-se mais intensamente às exigências da missionariedade. Junto a eles procuramos viver hoje o carisma scalabriniano, sendo “migrantes com os migrantes”, com a certeza da consoladora promessa de Jesus: “Quem acolhe um destes pequenos, a mim acolhe” (Mt 25, 40).

Nossa missão vai do simples sorriso, ao ensinar-lhes princípios do idioma, da cultura, bem como zelar para manter e aprimorar a própria fé, favorecendo a participação nas cerimônias religiosas, bem como na busca de trabalho, de escola e de mais saúde e, sobretudo, vivendo e testemunhando a solidariedade e a fraternidade universal.

Desde Roraima à cidade de São Paulo, na Casa Madre Assunta, se quer ajudar a superar a lógica da emergência: cremos ser, assim, uma centelha do amor providencial de Deus para com estes migrantes que a providência nos deu hoje para servir e amar, para viver, concretamente a passagem do evangelho: “Vinde benditos de meu Pai (…), pois era estrangeiro e me acolheste em vossa casa” (Mt 25,35).

“Ser para o migrante o sorriso da pátria distante” (Bem-aventurado J. B. Scalabrini), eis o nosso empenho dia após dia!

 

Ir. Leocádia Mezzomo, mscs
Postuladora da Causa de Canonização de Madre Assunta Marchetti

Mulheres migrantes: corajosas e com vontade de viver

A migração do triângulo norte da América Central (Honduras, Guatemala e El Salvador), tem raízes históricas é um produto da vida cultural, econômica e política dos países que compõem essa região.

Desde o século XX, e especialmente desde o início dos conflitos armados, as populações de migrantes da América Central procuram estabelecer-se principalmente fora da região, nos Estados Unidos, a fim de escapar da violência e melhorar a sua situação econômica. Com o advento da pacificação política e social, há duas décadas, e a integração comercial dos países, ele também começa a exibir um fenômeno que tem sido menos analisada, as populações móveis a nível regional.

Durante os últimos dez anos, as causas da migração na região mudaram, a principal causa em 2012 foram as razões econômicas. A partir de 2016 a violência ganhou um papel central na migração e forçou milhares de famílias a se mover em busca de proteção internacional.

Os dados apontam para a região da América Central, que é responsável por 90% dos pedidos de refúgio no México, ainda é o lugar da violência causada por “gangues” e do crime organizado, entre 2016 e 2017 representam 68% a razão da partida de seus países de origem.

A migração forçada aumenta e, embora a política de imigração restritiva do governo dos Estados Unidos deporta milhares de pessoas, muitas em risco de voltar para seu país, encontram no México um país de destino e um grande corredor migratório para EUA.

A falta de informação da população migrante sobre os seus direitos e prerrogativas, faz aumentar a vulnerabilidade e faz com que do corredor de migração (México-EUA) um espaço onde o crime organizado, tráfico de drogas e as mesmas forças do Estado, abusam e cometem delitos graves.

O protagonismo feminino

As mulheres carregam consigo uma força misteriosa, cheia de esperança e desejo de superar todos os obstáculos que encontram nas estradas. Não é diferente com mulheres migrantes que se colocam no caminho com seus filhos, maridos e lutam por seus direitos e, embora tudo seja em defesa de sua própria vida. Eles são lutadoras inatas, ainda mais quando são ameaçadas ou quando ameaçam alguém que amam.

Eles tiram de seus corações, às vezes destruídos, um grande poder, oriundo de uma fé encarnada, enraizada, sentida e vivida. Ao falar com mulheres, jovens ou anciãs, todas sem exceção manifestam o quanto estão intimamente ligadas a Deus e a Mãe Maria, especialmente à Virgem de Guadalupe: “todas as manhãs venho aqui para colocar minha vida e minha família, agradecendo e pedindo proteção. Ela está sempre comigo “, confirmou a senhora Ester, que mora na Casa do Migrante, em Ciudad Juarez, no México.

Migração Forçada

De acordo com o relatório anual do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), as mulheres representam quase metade de todos os migrantes internacionais em todo o mundo: 95 milhões, ou seja, 49,6%.

Os processos migratórios que eles empreendem têm a ver com a fuga da violência do crime organizado, gangues, violência familiar. Há muitos que deixam seus países sem olhar para trás, experimentam o pior da migração, de forma forçada. A única coisa que eles trazem são seus desejos de segurança de si mesmos e de suas famílias, seu desejo de proteger a vida, a autonomia e o retorno à tranquilidade. Pouco a pouco eles se tornam corajosas, capazes de fazer tudo para ter paz, junto com seus filhos e ter um trabalho digno.

As razões são muito fortes para que as mulheres abandonem suas atividades para salvaguardar suas vidas e seus filhos. Eles são mulheres migrantes, trabalhadores, lutadoras e guerreiras que deixam o pouco que têm para uma questão vital. O risco migratório é muito grande e violento, mas é a única oportunidade de estar vivo.

Mirian Magdalena, 55 anos, hondurenha, rosto triste e abatido. Ele tem 7 filhos, o mais novo tem 27 anos, foi gravemente ameaçado e sequestrado e está junto dela, fugiram do crime organizado e perseguição. Outro filho de 29 anos foi morto por gangues. O medo permanece e está cada vez mais assustador em seu país. Tinha uma loja e trabalhava decentemente, até ser perseguida e teve que dar todo o seu dinheiro para as gangues. Ela carrega consigo os relatos da morte do filho e do sequestro para confirmar seu pedido de asilo nos Estados Unidos. Deus tem sido seu consolo e ela tem muita fé para que tudo fique bem e uma nova vida comece em Nova York.

Tráfico de pessoas: um grande perigo

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), existem “2,45 milhões de vítimas de tráfico em todo o mundo que trabalham em condições de exploração.” Segundo as estimativas, todos os anos há entre 600.000 e 800.000 mulheres, homens e crianças que são traficadas através das fronteiras internacionais, das quais 80% são mulheres e meninas. Estes são forçados a trabalhar sexualmente, a tarefas domésticas não legisladas ou a trabalhar em fábricas onde são exploradas.

Embora o tráfico de seres humanos hoje constitua o comércio ilícito que ocupa o terceiro lugar entre os mais lucrativos, após o contrabando de drogas e armas, seus lucros são estimados entre 7.000 e 12.000 milhões de dólares por ano.

Segundo estimativas da OIT, quando as vítimas chegam ao país de destino, os sindicatos criminosos recebem outros 32 bilhões de dólares por ano, metade em países industrializados e um terço em países da Ásia.

Juana, tem 24 anos, mãe do Augusto de 3 anos, compartilhou sua experiência durante sua viagem ao México. Ela é de Honduras e mencionou que foi traficada e fugiu durante um tiroteio entre a polícia e seus sequestradores. Juana foi ferida com 8 balas e uma passou pelo pescoço e saiu pelo olho esquerdo. Ao falar sobre sua experiência traumática, lágrimas escorriam em seu rosto, ela não pode continuar compartilhando seu trauma pessoal.

O sonho está “do outro lado”

São Irineu viveu no século II, tinha uma expressão muito própria: A glória de Deus é a vida do homem “e da mulher”. A glória de Deus Pai é a vida de seus filhos, ainda a vida de migrantes, estrangeiros, órfãos e viúvas, com especial atenção. Não há maior glória para um pai do que ver a realização de seus filhos. É com esta mesma esperança e confiança em Deus Pai e na Virgem Mãe que os migrantes partem em busca de vida, segurança e trabalho para o “outro lado” do outro lado da fronteira para nos EUA.

Não podemos negar toda a crise humanitária que nos últimos anos fez com milhares de pessoas migrassem de todas as formas: ferroviários, rodoviários, a pé, nas montanhas, desertos, estradas irregulares. No entanto, há uma força humana e divina que faz ir em busca dos sonhos, do objetivo final, para encontrar a “terra prometida” e começar uma nova vida, embora não seja fácil o “outro lado”, mas é uma oportunidade. E nesse caminho vemos uma grande família de filhos e filhas de Deus que lutam por uma vida mais digna e plena.

“Eu quero viver e conhecer os EUA, eu tenho muita esperança de concretizar o meu sonho e se Deus quiser, eu conseguirei”, disse Helena, migrante guatelmateca.

E, assim diz o Papa Francisco para as mulheres: “Seus dotes de delicadeza, sensibilidade e ternura peculiar enriquecem o espírito feminino, representam não só uma força genuína para a vida das famílias, mas para uma realidade da vocação humana”.

da: Ir. Nyzelle Juliana Dondé, mscs
Serviço Itinerante – MSCS
Ciudad Juárez, Chihuahua- México

O caminho pedagógico do discernimento, construindo o itinerário de Animação Vocacional

O curso congregacional de formadoras que iniciou dia 1º de fevereiro reuniu 30 formadoras de todas as etapas da formação representada pelas três províncias, Nossa Senhora de Fátima, São José, Maria Mãe dos Migrantes e a Delegação Ásia.

A primeira etapa se desenvolveu em Aparecida, SP. A segunda parte continuou em Jundiaí a partir do dia 05, dia de escuta uma das outras, da realidade de cada província, traduzindo em palavras as experiências vividas pelas formadoras nas etapas formativas. Foi um dia intenso de gestos e expressões partilhadas que relataram a riqueza da missão de formadoras, culminando o dia seguinte com o estudo da Traditio Sacalabriniana, assessorado por Ir. Etra Módica, animadora geral da Formação.

Dia 07 as formadoras foram convidadas para caminhar rumo às fontes da Congregação.  Junto aos restos mortais do venerável Pe. José Marchetti e de sua obra Orfanato Cristóvão Colombo, celebramos a caminhada no encontro fraterno com nossos irmãos scalabrinianos e com as irmãs que compartilham da missão. Visitamos as dependências que ainda hoje acolhem crianças necessitadas do Ipiranga. Seguiu-se a visita ao Memorial da Bem-aventurada Assunta Marchetti na Vila Prudente, espaço onde Madre Assunta entregou a sua vida em favor dos órfãos. Fomos acolhidas por Ir. Leocádia Mezzomo, postuladora da causa de canonização, pelas irmãs que coordenam o projeto e pelo carinho e vibração das 125 crianças que frequentam o espaço, local que funciona com turno inverso à escola. Partilhamos da mesa e da mística que ainda hoje perpassa a vida e missão scalabriniana.  Finalizando a peregrinação conhecemos a Missão Scalabriniana no Pari. As irmãs apresentaram um demonstrativo do projeto, relatando a ação junto a tantos migrantes, que por diferentes necessidades fazem do projeto o espaço de vida e encontro como ser humano, necessitados de um lar e ambiente favorável de buscar mercado de trabalho na grande metrópole. O encontro com vários migrantes, crianças, jovens, homens e mulheres retrataram a fragilidade humana de quem chega e ao mesmo tempo a grandiosidade da missão. Registramos a alegria de chegar às fontes congregacionais com a presença de Ir. Maria Lélis da Silva, Superiora Provincial da Província Maria Mãe dos Migrantes, Província Maria Mãe dos Migrantes, quem desde a celebração Eucarística até o embarque da volta de São Paulo a Jundiaí se fez presente fraternalmente e atenciosamente.

Nos dias 8 e 9, coube ao Ir. Márcio Henrique da Costa, marista, coordenador da Animação Vocacional do Instituto a que pertence, realizar o caminho pedagógico do discernimento, construindo o itinerário de Animação Vocacional com a colaboração efetiva e afetiva das participantes de forma precisa e objetiva desde a realidade das juventudes.

Holambra, a cidade das flores, reuniu as formadoras no encontro com a migração holandesa no Brasil no domingo dia 10, dia do olhar a história passada e presente junto à natureza e à cultura típica descendente da migração que ainda hoje se identifica com a terra. Foi uma parada necessária, no convívio fraterno aspergido de aromas e cores que coroaram os dias passados e remetem em direção à síntese do VII Curso Congregacional de formadoras.

Nas datas seguintes o grupo foi convidado para dedicar um tempo de oração e retomada do caminho realizado através do ícone bíblico Salomão que significa “paz”, homem da sabedoria e das alianças. Motivadas pelas partilhas e experiências, os últimos dias, foram dedicados para a elaboração da síntese das riquezas que remetem às prioridades da animação vocacional nas propostas de elaboração do Plano Congregacional, considerações do Itinerário Vocacional e   plano do Setor Scalabriniano Juventudes e Vocações seguidos da elaboração dos horizontes referentes ao Documento Final e olhar atento aos elementos formativos de cada etapa em vista da Ratio Formationis.

Somos imensamente agradecidas pela acolhida alegre e fraterna das irmãs da Comunidade do  São Carlos, Aparecida, SP, às irmãs da Comunidade Noviciado São Carlos, Potim, SP que acolheram as formadoras em suas casas por alguns dias, à Ir. Erivalda de Lima Miranda, administradora do São Carlos Eventos e Hospedagem que junto com sua equipe favoreceram a estadia do grupo com carinho e dedicação.

Somos agradecidas por todas as irmãs e formandas que se somaram às nossas inquietações, buscas e realizações através de mensagens expressas pelos vários meios de comunicação.

Com a Celebração de envio, aprovação final do documento e avaliação encerrou-se o VIIº Curso Congregacional de Formadoras com o compromisso de confiar na promessa e na bênção de Deus que nos precede na indicação do caminho.

Deo gratias!

Venezuelanos que vão para São Paulo recebem orientações sobre protocolo de viagem

Nesta sexta-feira, dia 08, às 14h, os membros do projeto Caminhos de Solidariedade da Cáritas Diocesana de Roraima – como de praxe – realiza roda de conversa com os imigrantes que viajarão para São Paulo, no auditório da Instituição, na avenida Nossa Senhora da Consolata, 1529, centro.

Antes do embarque, o grupo de imigrantes passam por uma roda de conversa, por duas horas de duração, a fim de tomar ciência de como será a estadia e acolhida em São Paulo.

Em SP, o grupo terá acompanhamento de assistência social, orientação jurídica, espaços de formação e encaminhamento para renovação de documentos e na medida do possível um inserção laboral. “Neste espaço onde Madre Assunta habitou e idealizou para ação social de suas irmãs, continua nesta caminhada até os dias de hoje, e é com esse espírito que será feita a acolhida”, frisou o representante do Comitê Gestor do Projeto, Roberto Saraiva, durante recente visita ao local de acolhimento.

Um grupo de 15 venezuelanos embarcarão em voo comercial para a casa de acolhimento organizada pelas irmãs Missionárias Scalabrinianas. A viagem está agendada para o dia 17 de fevereiro.

O espaço de acolhida está situado na Casa Madre Assunta, propriedade da Congregação, na Rua do Orfanato – Vila Prudente – São Paulo, Capital.

A nova casa dos migrantes funcionava uma escola municipal, com seis salas grandes, cozinha, lavanderia, banheiros. Está preparada para acolher a seis famílias com uma média de cinco membros cada.

Segundo a irmã missionária Janete Ferreira, mscs, o tempo de acolhida será por três meses. “A organização está prevista para oferecer alimentação, alojamento, apoio para conseguir trabalho, atividades com as crianças com idade acima de 05 anos, aula de português”, comentou.

Para a articulação ao mercado de trabalho, será responsável uma irmã Scalabriniana que é assistente social e que acompanhará o processo das famílias na busca de trabalho e espaços de integração.

Janete conta que na Casa Madre Assunta atende cerca de 120  crianças migrantes e/ ou carentes que participam do Projeto Conviver. “Desenvolvemos atividades educativas de contra turno: música, dança, artes, entre outras. As crianças das famílias que vamos acolher, que estejam na faixa etária a partir de 5 anos, estarão sendo incluídas no projeto”, enfatizou.

Neste processe de acolhida, as irmãs contam com o apoio do Serviço Pastoral do Migrante – SPM, do Movimento Leigo Missionário Scalabriniano – LMS, da Associação Educadora Beneficente – AEB e pessoas individuais que estão fazendo doações.

Acreditar na promessa e na benção de Deus

Primeira Comunicação do VII Curso Congregacional de Formadoras

De 01 de fevereiro a 15 de fevereiro de 2019 acontece no São Carlos Eventos e Hospedagem, Jundiaí, SP o VIIº encontro de formadoras da Congregação. Objetiva este encontro o “Acreditar na promessa e na benção de Deus que nos precede em indicar o caminho”.

O encontro é de responsabilidade da Superiora Geral e Conselho, sob a coordenação geral de Ir. Etra Módica, animadora geral da formação.

As 30 formadoras procedentes de vários países iniciaram o curso com a celebração inicial na capela do Centro de Eventos e após a abertura, informações e integração das participantes, fomos convidadas a partir em Romaria para Aparecida, para junto do Santuário Nossa Senhora Aparecida, afim de intensificar a espiritualidade mariana, celebrar o dia da consagrada, bem como, conhecer a história e elementos que constituem religiosidade, os elementos da arte expressa nos painéis, mosaicos e nos traços que compõem o complexo religioso daquele Santuário.

Nos dias 02 e 03/02 foram aprofundadas as chaves pedagógicas para o acompanhamento personalizado na formação inicial no auditório do Centro Vocacional São Carlos, em Aparecida, tema abordado pelo professor Carlos Eduardo Cardozo, experiente na área de Educação atua principalmente nos temas: juventude, cultura juvenil, protagonismo e projetos educativos, razões pela qual encerrou a manhã do domingo, abordando a identidade e perfil da formadora de jovens para a vida religiosa consagrada, de forma processual, gradual e integral frente aos desafios da formação na pós-modernidade, dando especial atenção à formação humanizadora.
À tarde do domingo compartilhamos com as noviças e irmãs do Noviciado em Potim de momentos de encontro fraterno e conhecimento do espaço físico da casa de formação, concluindo o domingo com a celebração eucarística no Santuário.

Dia 04 de fevereiro iniciamos a jornada com a celebração Eucarística com a renovação dos votos de irmã Vitorinha Bernardino Alburquerque na capela do Centro Vocacional São Carlos. Conclui-se a manhã traçando elementos que constituem linhas gerais da formação. Logo após o grupo de formadoras retornou a Jundiaí a fim de dar continuidade à programação estabelecida que se estenderá até a data de 15 de fevereiro.

 

Foto Link

IMDH, com apoio do instituto C&A, socorre em sitiacoes humanitárias de emergência:| a diretora do IMDH, Ir. Rosita Milesi, em sua estada em Roraima (dezembro/2018) visitou a casa do “Valientes Por La Vida”,  família que acolhe e acompanha, de forma gratuita e voluntária, migrantes e refugiados soropositivos, durante seu tratamento. Os pacientes dormiam em redes ou no chão. A família abre as portas de sua casa, mas não tinha camas para acolhe-los. Partilhando colaborações, o IMDH, com ajuda do instituto C&A, doou quatro camas com colchões. A doação foi recebida com emoção e entusiasmo por  Nilza Hernandéz e o esposo. E assim se expressaram: “Ahora tenemos acogida digna para ofrecer a nuestros Hermanos y hermanas. Ya no dormiran por el suelo.”

 

O casal busca apoios e oferece dedicação, carinho, atenção… “É o modo que temos, além do nosso trabalho pessoal, de receber e assistir as pessoas que geralmente a sociedade tem medo de acolher, ou mesmo rejeita. “A doação das camas foi um gesto concreto emocionante para nós. Com esse gesto, as pessoas que  estão em tratamento não precisarão mais dormir no chão ou em redes”, enfatizou.

A casa já recebeu mais de 60 pessoas soropositivas que por falta de insumos básicos de saúde não conseguem o tratamento na Venezuela. O objetivo da família é estender as possibilidades de vida destas pessoas, oferecendo orientações e acompanhando-as em todo o caminho do sistema de saúde no Brasil que lhes dá, além do tratamento, algo precioso que é  a esperança de vida. Para atender a este público, a família conta com o apoio da sociedade e de doações. Seguem algumas imagens da visita.

Chaire Gynai: Buon Natale e Sereno Anno Nuovo